Exploração sexual: principais rotas estão nas regiões Norte e Nordeste
A prostituição ocorre em todas as regiões do país, mas no Norte e no Nordeste a exploração ocorre de maneira mais expressiva. Estas regiões concentram 145 rotas de prostituição infantil e de adolescentes, nacionais e internacionais.

Pesquisa sobre o Tráfico de Mulheres, Crianças e Adolescentes para Fins de Exploração Sexual (Pestraf), realizada por ONGs, a partir de um estudo piloto da Organização dos Estados Americanos (OEA), apontou as rotas já identificadas para traficar crianças e jovens brasileiros para o mercado de prostituição dentro e fora do país. Foi constatado o uso de pelo menos 14 rodovias federais envolvidas no tráfico de menores e adultas para a prostituição. Tais rodovias possuem hotéis e bares de beira de estrada, considerados "pontos facilitadores" de prostituição, pois geram circulação intensa de caminhoneiros em busca de mulheres. A região Norte do país apresenta o maior número de rotas (76), seguida da região Nordeste (69), Sudeste (35), Centro-Oeste (33) e Sul (28).

A Espanha é o principal destino deste tráfico, com 32 rotas identificadas. Em seguida, a Holanda (com 11 rotas), a Venezuela (com 10) e a Itália (com 9 rotas). No Brasil, o fluxo maior costuma ser do interior para as capitais ou cidades próximas a países vizinhos.

Com base em dados coletados de 216 municípios, o Projeto Sentinela e o Ministério da Previdência e Assistência Social concluíram que:


•   48,84% das vítimas do tráfico têm até a 4ª série do 1º grau;
•   43,72% concluíram a 8ª série;
•   52,07% têm cor de pele parda;
•   63,85% possuem renda familiar de até um salário mínimo.

Em 2002, uma das principais rotas identificadas na Região Norte foi localizada entre Manaus e Boa Vista (RR). Meninas de 12 a 17 anos eram aliciadas em Manaus e levadas para Boa Vista com promessa de emprego como garçonete ou programas com custo inicial de R$ 100,00. A seguir, eram levadas para boates da Venezuela e da Guiana, onde o programa ultrapassaria o valor de US$ 300.

Diante desses dados, algumas campanhas e projetos têm sido implementados nas principais capitais e cidades do país, no intuito de combater o turismo sexual. A capital cearense por exemplo, a terceira em número de casos (perdendo somente para Rio de Janeiro e São Paulo), criou uma CPI e distribuiu folhetos aos turistas pelo Embratur (Empresa Brasileira de Turismo), em setembro de 2001, na tentativa de coibir a prática na região.

As cidades litorâneas do Sudeste também tentam combater o problema. Em Santos, por exemplo, foi criado um centro que ministra cursos profissionalizantes, no intuito de tirar as prostitutas das ruas.

Neste verão, a Polícia Civil e o Conselho Tutelar adotaram um sistema de blitz em ruas e casas noturnas do litoral Norte de São Paulo, que recebe até 400 mil turistas por semana. O objetivo é inibir a prostituição infantil, em especial no trecho urbano da rodovia Rio-Santos, onde, de acordo com denúncias, garotas se prostituem até por R$ 5,00.

Segundo o Coordenador do Centro de Defesa da Criança e do Adolescente (CEDECA), Renato Roseno, é papel do governo ter projetos permanentes de atendimento às vítimas da "violência urbana", o que ainda é insuficiente em nosso país. Para diminuir os números acima apresentados, no entanto, a colaboração da sociedade como um todo - através da denúncia dos casos dessa violência - é de fundamental importância.

Fonte(s):


•   Folha de São Paulo - Caderno Cotidiano. Norte e Nordeste concentram as rotas de exploração. São Paulo (SP); 04/01/2003. p. C1.