Para Freud, a sexualidade se inicia antes mesmo do nascimento, na vida intra-uterina
A sexualidade humana é determinada por uma evolução que se dá através de regiões do corpo (conhecidas como zonas erógenas) e da relação que a criança estabelece com essas regiões, "zonas" geradoras de prazer. Não necessariamente elas são áreas genitais.

Freud dividiu a evolução da sexualidade em dois grandes momentos: as fases pré-genitais e a fase genital.

Durante as fases pré-genitais, o prazer da criança está concentrado em regiões distintas do corpo. A fase oral é a primeira no desenvolvimento pré-genital da sexualidade. Nesse momento da vida, o prazer da criança se concentra na boca e nos atos de sugar e morder. Ocorre desde a vida intra-uterina até cerca de dois anos de idade.

A segunda é a fase anal que se inicia logo após o nascimento e ganha importância máxima à época do desmame (em torno do 18° - 24° mês). Prolonga-se até aproximadamente o terceiro ano de vida. Nesta fase, o prazer da criança está centrado na região anal, ou seja, na contenção e na expulsão das fezes.

A terceira e última fase do desenvolvimento pré-genital da sexualidade é a fase fálica, que ocorre dos 3 aos 5 anos de idade. É comum nesta etapa a criança manipular os próprios genitais, pois já reconhece essa região como uma área geradora de prazer.

Dos 6 aos 10 anos de idade, a criança encontra-se no chamado período de latência: está bastante interessada em aprender novas atividades, em fazer amigos, ir à escola, etc. É como se ela "se esquecesse" um pouco dessas zonas erógenas, mas sem abandoná-las. Sua sexualidade não está ausente, mas sofre poucas modificações neste período. Mantém os elementos que conquistou, ou seja: o prazer oral, o prazer anal e o prazer da masturbação genital.

Com as modificações hormonais que ocorrem no início da puberdade e o aparecimento dos caracteres sexuais secundários (seios, formas arredondadas e menstruação nas meninas; pêlos, polução noturna e voz mais grave nos meninos, por exemplo), a sexualidade volta a se concentrar na região genital, propriamente dita. Nesta etapa, chamada fase genital, o adolescente passa a eleger seu "objeto sexual" (um menino, uma menina ou ambos) e começa a estabelecer vínculo com esse objeto. Tal vínculo sofre influência de características da sua própria personalidade e das relações que esse adolescente estabeleceu ao longo de sua vida com seus pais, seus irmãos e pessoas próximas.

É na adolescência que começam as definições e as dificuldades sexuais até a completa estruturação do seu papel sexual, o qual levará à busca do prazer e ao encontro com o parceiro ou a parceira.

Fonte(s):


•   (1) Freud, S. - Obras Completas. Madrid, Ed. Nueva Madrid, 1973.
•   (2) Abdo, C. H. N. Sexualidade Feminina - Aspectos Gerais. In: Sexualidade Humana e Seus Transtornos. Ed. Lemos, 2a. Edição, São Paulo, p.54-55, 2000.