Fumo: um fator de risco para disfunção erétil
Especialistas em impotência, na última edição do Journal of Urology, afirmam que os homens fumantes têm maior tendência para sofrer de disfunção erétil que os não fumantes. Disfunção erétil é a inabilidade de obter ou manter uma ereção suficiente para a realização da relação sexual.

Conhecemos os danos que o fumo provoca à saúde como um todo; no caso da Disfunção Erétil (DE), esses danos têm sido mencionados há longo tempo, porém, a comprovação de que o fumo é fator de risco para a impotência foi realizada por Fosberg, em 1979, quando indivíduos jovens pararam de fumar e melhoravam seu desempenho sexual, anteriormente comprometido pela nicotina.

A partir de então, inúmeros trabalhos científicos têm reafirmado que os fumantes são mais freqüentemente atingidos pela DE do que os não fumantes, pois a circulação sanguínea no pênis se deteriora, principalmente se existirem outros fatores de risco, como: obesidade, hipertensão arterial, diabetes e hiper-lipidemias (gorduras no sangue).

A equipe de pesquisadores, encabeçada pelo professor de Urologia da Universidade Northwestern, Kevin T. Mc Vary, encontrou fortes paralelos e riscos compartilhados entre fumo, doença da artéria coronária, aterosclerose e disfunção erétil. Os resultados de suas revisões mostraram que o fumo agrava os já conhecidos efeitos negativos da doença da artéria coronária sobre a capacidade de obter e manter uma ereção.

O fumo age sobre a função sexual masculina e também feminina, com efeito irreversível (crônico) sobre as paredes das artérias dos órgãos genitais (pênis e clitóris). Esse efeito crônico é o entupimento das artérias que irrigam a genitália e observa-se principalmente após os 40 anos. Ocorre vasoconstrição nos órgãos eréteis (pênis e clitóris), provocando diminuição de entrada de sangue nestes órgãos.

Mc Vary também afirmou que o sistema vascular do pênis está sujeito às mesmas doenças degenerativas que os vasos sanguíneos do coração, rins, cérebro e dos demais sistemas circulatórios. O fumo altera a habilidade de coagulação do sangue e acelera a hipertensão ao promover vasoconstrição e aterosclerose. A hipertensão aumenta a necessidade de medicamentos que, muitas vezes, podem induzir ou piorar a disfunção erétil.

Por último, o fumo aumenta as catecolaminas circulantes que são substâncias que levam à insuficiência de elasticidade das fibras cavernosas nos tecidos eréteis, provocando um desarranjo no fechamento do sistema venoso e ereção pouco rígida e de curta duração.

Pode-se afirmar que ainda são pouco compreendidos os fatores químicos que levam o fumo a causar disfunção erétil, porém, existem evidências de que o fumo prejudica a produção de óxido nítrico, o principal mensageiro químico envolvido na ereção peniana, nas células que revestem os vasos sanguíneos. O óxido nítrico também tem um papel importante na saúde cardiovascular e na inibição de apoptose (morte celular programada).

Estudos clínicos adicionais são necessários para determinar o mecanismo exato do efeito do fumo e para estabelecer diretrizes de uma prática clínica para homens que sofrem de disfunção erétil.

Para prevenir todos os riscos acima citados e manter o desempenho sexual satisfatório, a conduta mais eficaz é NÃO FUMAR. Caso esse prejuízo já faça parte de sua vida, parar de fumar também poderá trazer uma melhor qualidade e duração da vida e, sem dúvida, melhorará a saúde sexual de homens e mulheres. No entanto, essa iniciativa (parar de fumar) não é garantia de retomada da atividade sexual, a menos em jovens e sem outros fatores de risco associados. Para homens e mulheres que desejem preservar seu desempenho sexual e prevenir essas negativas (e crônicas) conseqüências do fumo sobre a vida sexual, a única orientação é: PARE DE FUMAR JÁ!

Fonte(s):


•   Dr. Alfredo Donis Romero. Diretor da IBRASEXO
•   Web site http://www.ibrasexo.com.br/portugues/anteriores.htm#13
•   Journal of Urology. 05/12/2001
•   Site Medix - notícias de dezembro de 2001.