Disfunção erétil: alternativas nos casos em que o remédio não resolve
Cerca de 10% a 15% dos pacientes com disfunção erétil não se beneficiam com os comprimidos. Apresentam disfunções orgânicas, consideradas graves, por doenças que afetam o funcionamento do pênis: como  neuropatia diabética ou alcoólica, arteriosclerose grave.  Ou sofreram alguma operação que danificou os nervos responsáveis pela ereção, como a prostatectomia radical (operação que retira a próstata nos homens que têm câncer).

Nesses casos existem duas soluções: medicamentos injetados dentro dos corpos cavernosos do pênis e próteses penianas.

A injeção intracavernosa é um ótimo tratamento, provocando boa rigidez do pênis. A principal diferença é que ao contrário dos outros tratamentos com comprimidos, que precisam de desejo e estímulo, a injeção age sozinha. O homem injeta no pênis uma substância e mesmo que não tenha estímulo, vai ter ereção. As substâncias presentes no medicamento dilatam as artérias do pênis.

As mais utilizadas no Brasil são: prostaglandina, fentolamina, papaverina. A dose ideal é a menor dose que dê resultado satisfatório e depende da necessidade do paciente: quantas relações vai ter, gravidade da impotência etc. O índice de sucesso é grande e responde rápido, de dois a três minutos. Não tem efeitos colaterais. Embora não seja dolorosa, pode assustar.

Cada 100 mg dessas substâncias custa, em média, R$ 30,00. Há pacientes que precisam de metade dessa dose e outros que precisam três vezes mais.

O implante de prótese peniana, do ponto de vista cirúrgico, dá bom resultado. O índice de satisfação é grande. É o último recurso, pois impede a capacidade natural de uma ereção. Existem atualmente dois tipos de prótese: maleável e inflável.

A prótese maleável consiste de tubos de silicone, em forma de haste, que têm dentro prata ou aço. Nesse caso, o pênis sempre fica ereto. Quando o homem não quer mais ter relações sexuais, o pênis pode ser dobrado. Não dá uma rigidez completamente normal como de um homem sem o problema, mas é possível ter uma boa relação sexual. O paciente pode chegar ao orgasmo normalmente. A prótese não afeta a fertilidade.

O preço dela varia de R$ 1,5 mil a R$ 4 mil. Mais o custo da cirurgia, o tratamento sai em torno de R$ 7 mil a R$ 10 mil. É a mais utilizada no Brasil.

A prótese inflável consiste em tubos de silicone, em forma de haste, que são ocos e substituem os corpos cavernosos. O médico coloca uma pequena bombinha na bolsa escrotal, embaixo da pele. Quando o homem quer ter a relação sexual, ele faz o bombeamento manual, três ou quatro vezes, e o líquido do reservatório (da bomba) vai para a prótese. Dessa forma, o pênis fica ereto. Quando a relação termina, o homem pode dobrar o pênis, que o líquido volta para dentro do reservatório.

O preço dessa prótese é alto, R$ 20 mil a R$ 22 mil. Incluindo o custo da cirurgia, o tratamento chega a R$ 25 mil a R$ 30 mil. É considerada o melhor tipo, pelos médicos.

Alguns planos de saúde podem cobrir o tratamento. No geral, isso só acontece no caso dos pacientes que tiveram de fazer a cirurgia para retirada da próstata por conta de um tumor. O mesmo para o Sistema Único de Saúde (SUS). O SUS não cobre a prótese inflável.

Ambos os modelos de prótese são implantadas em cirurgias de médio porte e não é necessária internação hospitalar. É possível voltar à atividade sexual depois de quatro semanas do implante. O grande risco é a ocorrência de infecções, em que há necessidade de retirada da prótese. A chance de infecção é muito maior em pacientes diabéticos, por isso é preciso controle rígido da doença antes de o paciente realizar a cirurgia.

Fonte(s):


•   Diário de São Paulo. Caderno Viver Domingo. 19/set/2004, p. D4.