Avanços no tratamento da AIDS - novas perspectivas
Desde os primeiros casos de AIDS, diagnosticados em 1981, a pesquisa médica sobre a doença vem crescendo e trazendo consigo avanços significativos no tratamento de portadores do HIV.

Em 1983,  o reconhecido cientista americano Robert Gallo, isolou o vírus da AIDS, que na época era chamada de "peste gay", matava nove em cada dez pacientes, principalmente os homossexuais e os usuários de drogas injetáveis, e por isso era considerada uma doença fatal.

Os vários avanços científicos a partir do isolamento do vírus abriram caminho para a sintetização das drogas antivirais, que transformaram a AIDS numa doença crônica, tratável e de mortalidade controlada. Os principais avanços científicos frente à doença obedeceram as seguintes fases:

 1985 - invenção do teste anti - HIV;

 1986 - descoberta do AZT, medicamento que prolonga a sobrevida dos pacientes;

 1996 - descoberta do coquetel de drogas que dificultam a proliferação do vírus HIV no organismo. Os remédios do coquetel vêm recebendo aperfeiçoamento a cada ano.

Atualmente, Robert Gallo vem trabalhando numa pesquisa que visa descobrir uma vacina contra a AIDS. O cientista afirma que este medicamento pode estar disponível em no máximo seis anos.

Os remédios utilizados até então (no coquetel anti¿HIV) estão conseguindo interromper quase que completamente a proliferação do vírus , mas Robert Gallo alerta: "são bastante raros os casos de drogas capazes de combater com eficácia algum tipo de vírus. É muito mais difícil combater um vírus do que parasitas e bactérias que vivem fora da célula". Enfatiza que hoje "sabemos muito mais sobre vírus em geral e, especialmente, sobre HIV. Era apenas uma questão de tempo até que drogas relativamente potentes e específicas fossem encontradas" (p.98).

Robert Gallo relata que o uso das novas drogas de combate tem causado entusiasmo na comunidade científica e explica como elas agem no organismo na luta contra o HIV: - "(...) as novas drogas são baseadas na inibição de uma enzima necessária para a reprodução do vírus HIV, a protease. Esses novos medicamentos agem em conjunto com as drogas antigas, como o AZT, que atua sobre a transcriptase reversa, outra enzima do ciclo do HIV. Esse coquetel de remédios não deixa muita margem para que o HIV escape da célula infectada para atacar as células vizinhas(...)" (p.98-9).

Quanto ao custo do tratamento, o cientista afirma que este é um fator preocupante, uma vez que "o grande problema com essas drogas é, de fato, o custo. (...) Noventa por cento dos doentes não podem comprá-las. Qualquer solução para o tratamento da AIDS terá, obrigatoriamente, que incluir o lado econômico" (p.99).

Sobre os avanços no combate à AIDS, Robert Gallo pontua que "é necessário aprofundar nossos conhecimentos sobre o HIV e desenvolver uma maneira mais natural e biológica de controlar a reprodução do vírus no organismo. A indústria farmacêutica deverá continuar a desenvolver novas substâncias químicas contra as enzimas do vírus (...) tais enzimas são fáceis de estudar e, quando se descobre sua estrutura molecular, torna-se simples encontrar as drogas mais eficazes para anular sua atuação" (p.99).

Portanto,  com tais avanços e cuidados necessários, a AIDS sai do status de doença fatal e passa a ser considerada um mal crônico que pode ser cuidado e mantido sob controle, como qualquer outra doença crônica (o diabetes, por exemplo).

 

Fonte:

Revista Veja - edição comemorativa de aniversário. A epidemia da globalização. Editora ABRIL; edição especial nº 26, ano 36 - setembro / 2003; p.98-99.