Essa tal maturidade...
 Uma pergunta é feita com muita freqüência, principalmente por adolescentes, e muitos adultos se enroscam na resposta. "Quando vou saber se estou preparado para iniciar minha vida sexual? Qual a idade ideal?".

O que você responderia? Quinze anos, dezoito, vinte, vinte e cinco? Talvez não exista uma idade ideal. "Mas, sem dúvida, não seria antes dos vinte", uma parte dos adultos responde.

Outra parte fala numa tal maturidade. "É preciso estar maduro". Resposta correta, sem dúvida. Mas, "que diabos quer dizer isto?", perguntam os adolescentes.

As respostas dos próprios adolescentes não variam muito. "É preciso ter cabeça boa (?), ter certeza que está na hora certa(?), e com a pessoa certa (?), precisa saber das conseqüências que relações sexuais podem trazer na vida como, por exemplo, um filho ou uma DST. Sabendo disto, a pessoa irá se prevenir adequadamente (?), evitando insegurança na hora da transa (?) e assegurando a tranqüilidade após (?). As respostas, simples e diretas, foram colhidas entre as muitas que já recebi e resumem bem o pensamento da moçada. Já as interrogações foram acrescentadas por mim.

As respostas dadas por meninas falam ainda da necessidade do amor ou pelo menos do afeto, e as dos meninos trazem, na ponta da língua, a necessidade de se usar camisinha.

Vamos tentar analisá-las, então. O que seria cabeça boa? Eles esclarecem que é "saber o que se está fazendo". Como saber se é a pessoa certa? Eles respondem: "aquele que gosta de você e vice-versa". O que é se prevenir adequadamente? "É usar anticoncepcional e, principalmente, camisinha", dizem. E como se faz para evitar a insegurança? "Ah!, é só fazer com quem você confia, num lugar adequado, sem ansiedade".

E como ter certeza de que, depois de tantas variáveis, haverá tranqüilidade? Bom, esta é mais difícil de responder, mas há aqueles que garantem que, se for seguida à risca a receita acima tudo sairá bem. Vejo que estas são perguntas com respostas esperadas, mas que no fundo, esclarecem e falam muito pouco do que acontece na realidade. Parecem tiradas de uma cartilha.

O interessante é que no início do século passado, maturidade para se iniciar a vida sexual se resumia em dois pontos: estar pronto fisicamente para reproduzir (no caso das mulheres ovular e dos homens produzir espermatozóides) e estar casado (já que mãe solteira era um verdadeiro escândalo). As mulheres se casavam aos 13, 14 anos e já começaram a ter filhos, cumprindo sua função materna, reprodutora. Prazer sexual feminino era detalhe. Na verdade, era moralmente melhor que elas não se preocupassem com isto.

A emancipação da mulher agregou o desejo e o prazer sexual à realização feminina. Aí sim, começou a preocupação com esta tal maturidade. E junto com ela veio a necessidade do diálogo entre os parceiros, o respeito, a auto-estima, a confiança e a preocupação em saber o quanto o que faço vai me satisfazer, assim como surgiu a necessidade de conhecer o funcionamento do corpo feminino e do masculino, da mente, da emoção.

A questão dos adolescentes acerca da maturidade não é fácil de ser respondida, porque maturidade é uma construção individual. Não há uma cartilha que esclareça satisfatoriamente, porque estar pronto para iniciar a vida sexual não é apenas uma questão biológica, é, em sua essência, emocional.

E para isto, nada como uma educação, que comece na infância, em torno do que se deve fazer com o corpo, os sentimentos, em torno de auto-estima. E nada como uma, ou melhor, inúmeras conversas em torno do assunto para auxiliar os adolescentes a descobrirem qual será o seu momento ideal. Sem culpa, sem medo, com afeto, desejo e confiança. E prevenção, é claro!