Sexo inseguro: álcool, drogas e até amor servem de desculpa para não usar camisinha
Uma pesquisa realizada pelo ProSex (Projeto Sexualidade) e pelo GREA (Grupo Interdisciplinar de Estudo de Álcool e Drogas) do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo, em escola pública da cidade de São Paulo, confirmou com números as relações entre o uso de drogas lícitas e ilícitas e o comportamento sexual de risco.

Foram entrevistados 787 alunos do ensino médio com idades que variavam de 14 a 21 anos, sendo 58,3% deles de classe média e 19,8% de classe baixa. Esse perfil é semelhante ao encontrado quando se analisam as escolas públicas e particulares de São Paulo juntas, mas difere dos de outras regiões do Brasil.

Em relação ao comportamento sexual, quanto mais cedo o jovem tem a primeira transa, maior é a chance de ele apresentar um comportamento de risco. Quem transa mais cedo também tem mais chances de enveredar para a prostituição ou de fazer sexo com profissionais. Na pesquisa, a prostituição, tanto de meninos quanto de meninas, foi relatada por 3,2% dos estudantes. Já o percentual de alunos que já haviam mantido relações sexuais com profissionais chegou a 25,3%, sendo todos homens.

Os usuários de drogas ilícitas se arriscam mais: tiveram sua iniciação sexual mais cedo do que os não-usuários (média de 15,2 anos), 80,8% já haviam tido relações sexuais completas (percentual bem maior de que os 53,5% relatados pelos não-usuários) e apenas 56,8% disseram que usam camisinha - percentual que sobe para 65,3% entre os não-usuários.

Embora as drogas possam ter um efeito sobre o comportamento sexual dos adolescentes, elas não podem ser vistas como as únicas responsáveis pelos vacilos na hora H. O comportamento de risco tem múltiplas causas, que passam pela aceitação do grupo e pela questão da afetividade. Para o adolescente, não usar preservativo é, às vezes, uma prova de amor, de confiança. O problema é que o relacionamento acaba e esse comportamento se repete.

A forma indicada para trabalhar com o problema do risco é a prevenção. Após coletarem os dados, em 1997, os pesquisadores passaram dois anos na escola, realizando um trabalho de capacitação dos professores para lidar com as questões da droga e do comportamento de risco na escola. Após esse trabalho, foi feito um novo levantamento, cujos resultados são animadores. O consumo de álcool, de tabaco e de maconha caiu para um quarto e, o de cocaína, para um terço do apresentado no início. A escola registrava uma média de duas a três gravidezes por ano e, nos dois últimos anos, nenhuma garota engravidou. O uso de preservativo aumentou em 50% dos casos, a idade de iniciação sexual foi postergada em 6 meses.

Fonte(s):


•    Jornal Folhateen. Caderno Prazeres do risco. Sexo seguro: álcool, drogas e até amor servem de desculpa para não usar camisinha. Por Guilherme Werneck. São Paulo; 3 de junho / 2002.