Serei mesmo tão feio?
Experimente observar os casais que andam pelas ruas. Casais de todas as idades e estilos. Nem todos são modelos de beleza. Se observarmos bem, veremos que a maioria não o é. Em qualquer lugar do mundo os casais são formados de pessoas comuns, gordas, magras, baixas, altas, narigudas ou de nariz chato, de orelha grande ou de abano, de cabelo crespo ou escorrido, de barriga flácida ou perna manchada. Tem de tudo um pouco.

Depois, observe o comportamento das pessoas, dos casais. Muitas estarão de mãos dadas, outras apenas andando ao lado; com os braços entrelaçados ou com as mãos sobre os ombros do parceiro, enquanto algumas nem sequer olham uma para a outra. Muitos estão juntos por paixão, amor, companheirismo, assim como por outros interesses, que podem ser diversos como medo de solidão ou problema financeiro. Outros estão juntos por falta de condições de se separar.

Observe então o casal formado por você e seu parceiro. Seja um casal real, se você tiver um parceiro (cônjuge ou namorado), ou o idealizado, se você tiver alguém a quem deseje ter ao seu lado. Será que vocês são um modelo de beleza, daquele tipo propaganda de cartão de crédito ou de cruzeiro marítimo pelo Caribe (aquelas propagandas que mostram o modelo ideal de família feliz)? Creio que a maioria de nós não o é.

Somos pessoas comuns, bonitas dependendo do "ângulo" que nos olham e nos olhamos. Mas, com certeza, temos ou já tivemos alguém que nos ama assim, apesar de nossos "defeitos de fabricação" ou adquiridos com a idade.

Há sempre inúmeros casais formados por pessoas consideradas feias pelos padrões estéticos atuais, mas que estão bem felizes na sua parceria. Casais que podem admirar a beleza que está passando ao lado, mas que não seriam capazes de trocar de parceiro nem por um instante. Pessoas que se amam e são amadas.

São tantas as pessoas que permanecem na solidão porque acham que por serem "assim ou assado" nunca encontrarão um parceiro a quem agradarão. São tantas as mulheres que, ao se separarem ou ficarem viúvas, não têm coragem de supor uma nova parceria porque não conseguem imaginar que homem poderia se interessar por alguém já tão "rodada". No fundo têm vergonha de si mesmas.

Qualquer um de nós tem um padrão de beleza que considera ideal para si e para seu parceiro. Aquele tipo de arrasar quarteirão. Mas qualquer um de nós, apesar de não corresponder ao padrão ideal, é capaz de se sentir belo e assim ver o parceiro, mesmo não o sendo. O nosso maior problema é que muitas vezes somos exigentes e cruéis demais com a gente mesmo. E por trás de tanta exigência pode estar também não apenas uma auto-desvalorização, mas um medo de enfrentar situações que acreditamos ser "emocionantes" demais para darmos conta. E atrás de nossa "feiura" nos escondemos.