Menopausa e sexualidade feminina
A menopausa, período que ocorre ao redor dos 48 anos de idade, é definida como o momento da parada das menstruações, decorrente da diminuição do funcionamento dos ovários. O climatério, por sua vez, é o período de transição entre a fase reprodutiva e a não reprodutiva da mulher, estendendo-se dos 40 aos 65 anos de idade, em média.

Portanto, a menopausa é um marco importante do climatério, dividindo-o em fase pré-menopáusica (antes da menopausa) e pós-menopáusica (após a menopausa). Na fase pré-menopáusica, iniciam-se as alterações da ovulação, surgindo as falhas menstruais e os sintomas associados à menopausa. Na pós-menopáusica há queda intensa e progressiva da produção hormônio sexual feminino (estrógeno) (6).

Tais alterações hormonais têm repercussões sobre o corpo da mulher, interferindo na sua atividade sexual, por influência sobre os órgãos genitais e sobre o estado de humor (1).

Por isso, são freqüentes as queixas de diminuição de apetite sexual na menopausa, o que pode ser agravado pelas mudanças sociais e psicológicas que atingem as mulheres nesta fase da vida (2).

As alterações do corpo da mulher podem ser responsáveis por dificuldades na excitação sexual e no orgasmo (1,2). A redução doa níveis de hormônio sexual feminino leva à diminuição do funcionamento da musculatura da região genital e às alterações da pele, tornando-a mais seca e quebradiça e acentuando a formação de rugas. Esses efeitos também ocorrem nos órgãos genitais e urinários, favorecendo seu mal funcionamento (1,2,4,7,13) e o surgimento de dor à relação sexual, com piora da qualidade de vida, em 20 a 30% das mulheres na menopausa (1,2).

Também ocorre a diminuição da produção de hormônio sexual masculino (testosterona), com conseqüente diminuição do apetite sexual e cansaço (7,9,13). A adição de tal hormônio à terapia de reposição hormonal é defendida como forma de melhorar a qualidade de vida destas mulheres, na medida em que aumenta o apetite sexual e o bem estar (5). A atividade sexual poderia se tornar mais prazerosa, nessa fase, já que não existe mais preocupação com gravidez e com métodos anticoncepcionais; e o orgasmo poderia ser atingido com maior facilidade (4).

Quanto às alterações psíquicas, falta de memória, mudanças do estado de humor (depressão e instabilidade psíquica), fadiga  - conseqüentes tanto às alterações hormonais quanto a fatores não biológicos  - são freqüentes no período de circunda a menopausa. A depressão acomete grande parcela das mulheres que procuram clínicas de climatério. Porém menopausa natural não é associada à maior freqüência de depressão, o que só ocorre com a menopausa decorrente de cirurgia em que se retiram os ovários (6).

É também no climatério que mais freqüentemente ocorrem mudanças como: hipertensão arterial, doenças cardíacas e diabetes, que comprometem o bem estar geral, podendo ocasionar disfunções sexuais (2).

Sabe-se hoje que a sexualidade feminina está estreitamente ligada ao estado de humor, sendo dependente do equilíbrio deste. A depressão acomete mais mulheres do que homens e sua incidência é maior na fase que antecede a menstruação e no período que circunda a menopausa, o que coincide com a diminuição dos níveis de hormônios femininos no corpo da mulher (2).

Em contrapartida, a reposição de hormônio sexual feminino melhora o estado de humor e reduz a incidência e a gravidade da depressão na menopausa, inclusive por efeito indireto, pois previne e até mesmo reverte as alterações da pele, melhorando a aparência física, lubrificando e tonificando a vagina e melhorando o desejo sexual (1,2). Desta forma, os sintomas somáticos (como as ondas de calor) e psíquicos (depressão) podem ser considerados como uma patologia única, ambos melhorando com a terapia de reposição hormonal (8), não configurando quadros psicossomáticos (12).

Apesar de existirem poucos estudos (3,10,11), a maioria deles indica que a terapia de reposição hormonal melhora depressões leves, que voltam com a suspensão do tratamento (11). Depressões graves não respondem à reposição hormonal.

Fonte(s):


•   (1) Abdo CHN. A mulher e sua sexualidade: aspectos psicopatológicos. In: Fráguas Júnior R, Meleiro AMAS, Marchetti RL, Henriques Júnior SG. Psiquiatria e Psicologia no Hospital Geral: Integrando Especialidades. São Paulo: Lemos Editorial; 1997. p. 171-82.
•   (2) Abdo CHN. Sexualidade Humana e seus Transtornos. 2a ed. São Paulo: Lemos Editorial; 2000.
•   (3) Bradley SJ. Female transsexualism  - a child and adolescent perspective. Child Psychiatry Hum Dev 1980; 11(1):12-8.
•   (4) Bricarello SGA, Nesttarez JE, Tosi AV. Disfunção sexual feminina. Rev Bras Med. 2000;57(5):388-404. 
•   (5) DeCherney AH. Hormone receptors and sexuality in the human female. J Womens Health Gend Based Med.2000;9(Suppl 1):S9-13. 
•   (6) Gebara OCE, Wajngarten M. Envelhecimento e menopausa  - aspectos clínicos. In: Fráguas Júnior R, Meleiro AMAS, Marchetti RL, Henriques Júnior SG. Psiquiatria e Psicologia no Hospital Geral: Integrando Especialidades. São Paulo: Lemos Editorial; 1997. p. 185-93. 
•   (7) Gelfand MM. Sexuality among older women. J Womens Health Gend Based Med. 2000;9 (Suppl 1):S15-20. 
•   (8) Hauser GA. Hormone substitution in the female climacteric--goals, means, effects. Ther Umsch 1990;47(12):970-84. 
•   (9) Kalb C, Joseph N. Women & Sex. Newsweek 2000;June(5):50-4. 
•   (10) Maartens LW, Leusink GL, Knottnerus JA, Pop VJ. Hormonal substituion during menopause: what are whe treating?. Maturitas 2000;34(2):113-8. 
•   (11) Rudolph I, Zimmermann T, Kaminski K, Jandova K, Borovsky B, Ahrendt HJ, Golbs S. Changes in psychic and somatic well-being and cognitive capabilities of peri- and postmenopausal women after the use of a hormone replacement drug containing estradiol valerate and levonorgestrel. Methods Find Exp Clin Pharmacol 2000;22(1);51-6. 
•   (12) Upton GV. The physiology of the perimenopausal years: a minireview. Int J Gynaecol Obstet 1980;17(6);531-45. 
•   (13) Wajchenberg BL. Tratado de Endocrinologia Clínica. São Paulo: Rocca; 1992.