Controvérsias acerca da reposição hormonal
Tanto o homem como a mulher devem fazer avaliações periódicas a fim de diagnosticar possíveis alterações dos níveis hormonais. Quando os hormônios se apresentam com níveis anormais no sangue - aumentados ou diminuídos - são capazes de promover uma série de transtornos.

Os hormônios sexuais são responsáveis pela manutenção das funções sexuais, tais como o desejo sexual (libido), lubrificação vaginal e também pela beleza da pele e dos cabelos da mulher e da distribuição dos pêlos nos homens, por exemplo. São os hormônios sexuais que dão as características físicas das mulheres (distribuição da gordura em pontos específicos, tais como nádegas, coxas, etc...) e dos homens (pêlos, voz grossa, massa muscular).

Por volta dos 45 anos, o ciclo menstrual da mulher passa a ficar cada vez mais irregular até que ocorre a última menstruação e inicia-se uma nova fase: a menopausa. Neste período, podem ocorrer modificações físicas e emocionais. A pele pode ficar ressecada e os cabelos sem vida, mudanças repentinas de humor, humor depressivo, ondas de calor, obesidade e falta de apetite sexual, o que torna necessário o tratamento de reposição hormonal (TRH)(1).

A relação custo-benefício da TRH gera uma série de controvérsias pois o seu custo (financeiro e risco de vida da paciente) pode ser maior que o benefício (melhora da qualidade de vida). Já há vários anos a reposição hormonal na fase pós-menopausa é controversa. Os ginecologistas são mais favoráveis ao uso, enquanto os cancerologistas e mastologistas (que tratam da mama) são contra o seu emprego sem controle (2).

A reposição hormonal mais comum, realizada com estrógeno e progesterona, associa-se à elevação do risco de câncer de mama, conforme mostrou estudo publicado pelo JAMA, no último 17 de julho (3).

Os médicos já sabiam deste risco, daí exigirem, especialmente das mulheres que realizam TRH, o exame ginecológico (incluindo o das mamas) pelo menos uma vez ao ano.

Os resultados deste estudo ainda deverão ser melhor analisados pelos ginecologistas, mas desde já recomendam-se exames ginecológicos de rotina para todas as mulheres, particularmente para aquelas em regime de reposição hormonal, e avaliação criteriosa sempre em conjunto com o ginecologista, para que riscos, benefícios e alternativas farmacológicas ou naturais à reposição hormonal sejam rediscutidos.

Fonte(s):


•   (1) Jornal da USP. Receita contra os incômodos masculinos. São Paulo (SP); 22 a 28/07/2002. p.5.
•   (2) Folha de São Paulo - Cotidiano-Saúde. Os hormônios femininos e os seus possíveis riscos. 14/07/2002. p.C8.
•   (3) Rossouw JE, Anderson GL, Prentice RL, LaCroix AZ, Kooperberg C et al. Risks and Benefits of Estrogen Plus Progestin in Healthy Postmenopausal Women. Principal Results From the Women's Health Initiative Randomized Controlled Trial. JAMA 2002; 288:321-333.